Resenha: Maxxxine (2024) — Mia Goth reina absoluta em um pesadelo neon dos anos 80
Maxxxine (2024) chega como o capítulo final da trilogia de Ti West, e faz isso com uma confiança rara: é ousado, estiloso, exagerado e deliciosamente autoconsciente. Se X era um slasher rural e Pearl um conto psicótico de origem, Maxxxine mergulha de cabeça no cinema exploitation dos anos 80, abraçando o neon, o VHS, a música sintetizada e toda a estética suja e glamourosa da época.
Mas nada disso funcionaria tão bem sem Mia Goth, que entrega aqui uma das performances mais magnéticas da sua carreira.
Mia Goth: um brilho diferente, mais afiado e mais pop
Mia Goth já provou ser camaleônica — do terror psicológico de Pearl ao desespero cru de X. Mas em Maxxxine, ela faz algo diferente:
ela se transforma em um ícone pop do horror, sem perder a estranheza que a tornou tão única.
- Sua Maxine é mais dura, mais ambiciosa, mais consciente do próprio poder.
- Goth equilibra vulnerabilidade e arrogância com uma precisão impressionante.
- Ela domina cada cena com uma energia elétrica, quase hipnótica.
Enquanto em Pearl ela brilhava pela intensidade emocional, aqui ela brilha pela presença, pela atitude, pela forma como encarna a estética e a linguagem corporal de uma estrela dos anos 80 tentando sobreviver — e ascender — em um mundo brutal.
É uma performance que não tenta repetir nada do que ela já fez.
É Mia Goth reinventando Mia Goth.
O clima anos 80: neon, VHS e paranoia urbana
O filme respira anos 80 em cada detalhe:
- Los Angeles decadente, cheia de fumaça, luzes de neon e ruas perigosas.
- Trilhas sintetizadas que remetem a Carpenter e Moroder.
- Câmeras VHS, TVs chiadas e estética grindhouse que dão ao filme uma textura suja e nostálgica.
- Uma atmosfera de paranoia urbana que lembra clássicos como O Exterminador do Futuro e O Guerreiro da Noite.
Ti West não usa os anos 80 como fantasia colorida — ele mostra o lado sombrio, violento e oportunista da época, especialmente dentro da indústria do entretenimento. É um retrato estilizado, mas com dentes.
Conclusão
Maxxxine é um fechamento ousado para a trilogia, e Mia Goth é o coração pulsante de tudo.
Ela entrega uma performance que mistura glamour, loucura e determinação, criando uma protagonista que parece saída diretamente de um pesadelo neon.
Se X era sobre sobrevivência e Pearl sobre obsessão, Maxxxine é sobre transformação — e Mia Goth faz essa transformação brilhar como nunca.
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| NOTA 7/10 |

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